Euro 2016 – Dia 3

2016_euro_dia3_2Penúltimo dia de competição, chegámos ao pavilhão praticamente deserto. Primeiro dia de competição de manhã, que é sempre algo que os ginastas gostam menos, o corpo parece que não responde da mesma maneira…já dizia o outro: “de manhã, só estou bem é na caminha…”

Mas não foi isso que mostraram os pares sincronizados, que saltaram logo no primeiro grupo.
Ana Rente e Beatriz Martins pareciam ainda um pouco menos despertas na primeira série, não foi a melhor nota, claramente abaixo do potencial. Conseguiram recuperar na segunda série alguns pontos, não isenta de falhas, mas ainda assim suficiente para passarem à final em 8º lugar. Certamente que estarão mais acordadas nas finais e também haverá mais apoio nas bancadas!

2016_euro_dia3_3Nos masculinos havia alguma expectativa, já que havia apenas um par em competição (???), representando um risco acrescido de não presença na final. A adicionar a isso, Diogo Abreu e Pedro Ferreira nunca tinham feito sincronizado juntos numa prova desta importância.
Na primeira série não estiveram muito bem, com pequenas falhas de sincronismo, claramente ainda a experimentarem falhas de hábito de sincronismo. De qualquer forma, foi uma série bem conseguida, sem comprometer o resultado final.
A segunda série foi uma “bomba”, como se diz em bom português! No final do primeiro grupo, estavam em 2º lugar, apenas atrás dos russos que estiveram num patamar bem acima de todos os outros. Final garantida, apenas faltava saber em que lugar. A tradição do sincronizado é uma realidade cada vez mais marcada, agora na final é dar o melhor!

Após uma breve pausa, recuperámos a competição com as semi finais em trampolim, para os júniores e as finais por equipas de DMT para os seniores.

No trampolim, havia uma presença numerosa, mas com uma tarefa difícil de passagem à final. Este ano os ginastas foram divididos em 4 grupos de 6, uma vez que saltavam ao mesmo tempo que o DMT e o Tumbling, para evitar que fossem grupos muito lentos.

2016_euro_dia3_4No sector feminino, foi Catarina Nunes quem saltou no primeiro grupo. Uma prova suave e segura, tal como nos tem habituado. Apesar de ter um grupo de apoio grande na bancada, certamente que era na mesa da organização que se sofria mais por torcer sem poder expressar: Luís Nunes, o seu pai, estava a acompanhar a competição no comité técnico da UEG.
No grupo seguinte foi a vez da sensação do dia até aqui: Sofia Correia. A jovem algarvia saltou muito bem, técnica apurada, perfil excelente, apenas falta um pouco de TOF para conseguir competir para os lugares mais altos. Ainda assim, consegue atingir a final individual, o que deixa a comunidade no geral e os seus técnicos e familiares em particular, muito satisfeitos! À passagem pela falange de apoio, foi muito saudada e o sorriso na cara era evidente. Brilhante!

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Nos rapazes, Miguel Magalhães teve uma ligeira falha a meio da série, terminando com muita rotação o 4º elemento, alterando para 4 1 / o elemento seguinte. A partir daí seguiu com boa execução e recuperou bem, mas comprometeu um resultado melhor. Gonçalo Martins mostrou que tem ainda de ganhar força para poder ter mais TOF e mais dificuldade, mas o que realizou foi de elevado nível e continuou a dar-nos alegrias com a sua maneira de saltar elegante e divertida, faz-nos lembrar Diogo Ganchinho há bons anos atrás. No segundo grupo de semi finalistas saltou Ruben Tavares, que se revelou como o melhor júnior no trampolim, revelando como certa a escolha entre os seus treinadores e o ginasta de não saltar DMT, apesar de ter conseguido apuramento para tal. Ruben ficou à porta das finais (10º) após uma brilhante série, com bom TOF e mostrando a sua linha longa e bonita.

2016_euro_dia3_6Juntamente com estas provas, foram realizadas as finais por equipas de seniores em DMT, começando pelas femininas.
Alguma confusão para Ana Robalo, pois pensava que seria no segundo grupo e acabou por saltar no primeiro, sem aquecimento no hall anexo. Apesar disso a sua série de aquecimento foi muito boa. No entanto, o ensaio não correspondeu a prova, que foi com grandes falhas de execução e recepção no amarelo, penalizando fortemente a sua nota final. Antes dela, Mariana Carvalho teve também uma série menos bem conseguida também em execução, apesar da recepção ter sido na box. Ao fim do primeiro grupo, as perspectivas eram já de um resultado abaixo do que queriam. Faltava uma ginasta, mas era também a ginasta que lidera a prova individual, o que quer dizer que havia esperança.
Mas hoje não era o dia. Andreia Robalo fez uma boa série, mas a recepção foi no amarelo, com penalização forte. Isto significou que, tantas falhas, não foram suficientes para chegar a um pódio tanto ambicionado. A decepção foi enorme, mas as lágrimas de dor hoje serão certamente as lágrimas de alegria amanhã para quem se esforça diariamente, isso é uma certeza! Força meninas!

No sector masculino, a nuvem negra pairava no ar. Na realidade não começou muito bem. Apenas a equipa dinamarquesa esteve sempre atrás de nós, de resto, quase até ao final, a equipa andou pelo 4º lugar. O esforço foi bem notório e a pressão também, numa equipa muito recente, elementos menos experientes, a lutar contra ingleses e espanhóis – que jogavam em casa. Ao fim do primeiro grupo, as séries de Bruno Nobre e Francisco Costa deixavam alguma dúvida sobre a capacidade de chegar mais longe, que neste caso era o segundo lugar, dado o domínio total da Rússia. 6,5 pontos distanciou a Rússia dos restantes, o que significa mais do que 2 pontos por série…é muito!
2016_euro_dia3_16A luta e a pressão foi até ao final. João Caeiro foi o primeiro do segundo grupo e realizou também ele uma série aquém do potencial, com uma recepção no azul, penalização forte na execução…as coisas não estavam fáceis.
Mas como nós, as restantes equipas também tiveram os seus problemas e no final, um enorme Diogo Costa liderou a equipa, no meio da pressão, de forma brilhante! Série com elevada dificuldade, série com boa execução, série com recepção quase perfeita, deram um sprint final em grande, para ultrapassar os espanhóis em sua casa e nem Daniel Perez foi capaz de garantir a prata para Espanha. No final, o melhor possível foi um excelente resultado para Portugal, medalha de Prata bem ganha, com elevado mérito por terem conseguido ultrapassar todas as dificuldades que surgiram no caminho.
Inevitável será parabenizar Bruno Nobre, pelo esforço que fez depois de uma lesão no último mundial que o deixou fora de competição. Perceber também que neste caso, o facto de terem trazido uma equipa completa, ajudou e de que maneira a que os erros fossem colmatados. Agora podemos ostentar a medalha de prata bem alta, ao contrário da equipa feminina.

Após uma pequena pausa na maratona de hoje, regressamos à competição com o par júnior masculino, em sincronizado.
Foi uma prova sem grande história, já que na primeira série, Ruben Tavares quase tocou na proteção, baixando bastante e comprometendo bastante a nota de sincronismo e execução. Os ginastas não desistiram sem antes darem luta e nota de grande bravura…é que a segunda série foi simplesmente brilhante, com um sincronizado bastante bom. A final ficou bastante próxima, mas desta vez não foi uma realidade. Fica o registo da brilhante segunda série deste par que já deu provas anteriores do seu valor.

2016_euro_dia3_13Tempo dos mais velhos voltarem a entrar em ação. Semi finais de trampolim individual, com legítimas aspirações a estarmos presentes nas finais.
A primeira a saltar foi Beatriz Martins, que não começou bem a sua série, teve alguns movimentos laterais no trampolim, mas conseguiu terminar a sua série. O mal estava feito, mas a semi final ninguém lhe tira, 22º lugar final no europeu de 2016!
Do sector feminino veio o melhor resultado do dia, da nossa ginasta olímpica, Ana Rente! A Ana optou pela sua série com menos dificuldade, mas o TOF e a execução estiveram lá, na perfeição! Uma série com quase nenhum erro a apontar, foi uma alegria ver os 10 saltos a desmanchar na vertical, a manter posições e altura, de salto em salto. Resultado…a liderança da competição quase até ao seu final, destronada apenas pela russa Yana Pavlova. Ana Rente será a penúltima a saltar amanhã e estará super motivada pela sua façanha de hoje! Espectacular, uma honra ter presenciado a sua prestação!

Do lado dos homens, as coisas não foram tão boas. A concorrência foi elevada e as notas muito próximas umas das outras. Diogo Abreu esteve perto da protecção em dois momentos, mas conseguiu sempre recuperar, no entanto a dificuldade e execução da sua série baixaram significativamente face ao que nos tem habituado, ficando-se pela 14ª posição. O ginasta queria certamente mais, mas a competição é mesmo assim.
Diogo Ganchinho também teve de alterar a sua série significativamente, algo que é mais ou menos habitual, mas desta vez as alterações foram devido a correcções mais significativas que teve que realizar. Ganchinho ficou a menos do que 0,3 pontos da final, o que quer dizer que pequenas alterações significam grandes perdas de lugares e neste caso, foi fatal. O ginasta estava desolado, mas sente-se bem e mostra, tal como os restantes, que está preparado para o Test Event, daqui a 2 semanas. Suficiente para o top 10 europeu, posição que poucos se podem gabar de terem conseguido.
O melhor dos 3 foi Pedro Ferreira. Pedro conseguiu manter a sua prestação muito constante ao longo dos dias de competição. As séries foram todas muito boas, muito constantes e nesta semi final conseguiu melhorar os finais dos saltos, conseguiu saltar mais alto e quase chegar à final…foram 0,2 pontos apenas, para um 9º lugar final…pena pois numa competição onde a inconstância tem sido rainha, Pedro tem estado completamente afastado dessa característica.
Toda a comitiva sente um orgulho enorme nestes ginastas que mostram consistentemente que estão no topo da europa e do mundo no trampolim individual, muitos parabéns a todos e boa sorte para daqui a 2 semanas!

Para terminar, tivemos as finais por equipas dos juniores no DMT, o sofrimento do dia!
2016_euro_dia3_11Primeiro as nossas meninas que não começaram da melhor maneira. Aparte da Estónia, que estava bem lá para trás e da Rússia, que estava bem lá para a frente, a luta foi com as inglesas e com as espanholas, tal como previsto. Sara Guido começou bem, com uma série segura e recepção na box, a puxar pelas restantes colegas. Depois veio Lilas Potting, com uma série quase tão boa como a Sara, mas a ficar na segunda zona de recepção, com penalização forte por isso, deixando Portugal momentaneamente fora das medalhas. Beatriz Peng também não conseguiu estar à altura que nos tem habituado, apesar de ter completado a série, foi ligeiramente penalizada na recepção. Os nervos estavam à flor da pele e precisávamos de uma Ana Oliveira cheia de garra, como ela bem sabe fazer.
A capitã de equipa mostrou todo o seu valor, executou na perfeição a sua série e puxou pela equipa de volta para as medalhas com um “stoi” bem marcado e gritado pelo numeroso público que esteve presente no pavilhão. Saiu a nota e foi o alívio, pois a medalha de bronze era uma realidade! Algumas lágrimas de alegria mudaram o semblante carregado de uns minutos antes. A prata ficou a apenas 0,9 pontos, que em 3 séries e no DMT, significa muito pouco…

Os rapazes tiveram um percurso muito semelhante. O estreante nestes palcos Diogo Fernandes esteve à altura do desafio, não vacilou perante uma situação de grande pressão e arrancou uma bela série, com uma bela recepção, apenas penalizado por alguma falta de execução e pela dificuldade baixa. Apesar da boa prestação individual, Portugal estava em 4º após a primeira passagem.
2016_euro_dia3_12Afonso Fernandes foi o seguinte, puxando pela dificuldade, para patamares semelhantes aos rivais, mas falhando na recepção, pois ficou no amarelo. Além disso, saíu da zona central para o último salto, o que significa que nestas 2 penalizações, para além do salto ter sido menos bem conseguido por estar numa zona muito longe da recepção, lhe foi “retirado” da nota final 1,8 pontos…uma penalização muito grande para uma equipa que queria lutar pela vitória.
Miguel Magalhães era o ginasta seguinte, com toda a pressão para fazer uma série que puxasse pela equipa. Tal como o Afonso, o seu salto inicial ficou curto, mas desta vez, não conseguiu sair para o colchão, terminando o segundo salto em cima do DMT. Miguel ficou desolado e compreende-se bem porquê. Nestes momentos de equipa, falhar significa, na mente de quem falha, desapontar os colegas. Sabemos porém que esta equipa trabalhou muito junta e esteve unida desde o início e tem uma opinião diferente do Miguel.
Também para o final ficou o capitão de equipa, Tiago Romão. Ginasta muito experiente e com elevadas capacidades, não fosse o líder da competição individual. Tiago não fez a série mais difícil que sabe fazer, mas calcularam muito bem o que tinham que fazer, eram cerca de 36 pontos…e numa série de campeão, mostrou toda a sua classe e valia e jogou para a equipa! Brilhante prestação, que nos fez respirar de alívio pela conquista de mais uma medalha de bronze neste dia! Uma vez mais ficou um sabor de quem podia ter chegado mais longe, mas o andamento da competição fez-nos saborear bem esta medalha de bronze. 1,1 pontos de diferença para os espanhóis, que conseguiram uma medalha de prata, quase a 5 pontos dos russos, esses sim, numa competição aparte.

Foi um dia grande, com muitas competições, algo criticada por alguns. Concordamos que a prova em simultâneo das semi finais e das finais por equipas, tira um pouco da emoção das equipas.
Ainda assim, os portugueses foram os últimos a abandonar o pavilhão, muito satisfeitos com as suas prestações e com mais medalhas no saco!

Parabéns a todos por mais um capítulo de sucesso nos trampolins em Portugal! Amanhã teremos o último dia com as finais individuais e de sincronizado, onde esperamos ter mais boas notícias para dar!

Aqui fica o calendário de prova para amanhã

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