Euro 2016 – Dia 4

Último dia de competição
Emoção, emoção e emoção!
Mais um dia cheio e ainda bem que assim é, quer dizer que tivemos portugueses em muitas finais individuais.
Todos à procura de mais “caricas”, como a nossa equipa apelidou as medalhas.

2016_euro_dia4_2O dia começou pelas 10h30, com as juniores de DMT: Beatriz Peng e Lilas Potting, ambas com determinação em chegar às medalhas, tarefa que não era fácil, mas já se sabe, numa final, tudo é possível!
Ambas fizeram as suas séries muito certinhas, algumas falhas de execução e Lilas com um pé fora da box, que a penalizou um pouco mais do que à Beatriz. Beneficiaram também de algumas falhas das rivais, no final estavam muito perto das medalhas, mas tinham que contar com o azar alheio, que não veio a acontecer. Emoção até o fim, mas ficou sabor a pouco, com um 4º e 5º lugares, respectivamente para Beatriz Peng e Lilas Potting. Um europeu muito positivo para as jovens, que esperemos ser de motivação para o futuro!

Logo a seguir veio Diogo Vilela, o representante do tumbling nacional nestas finais, só por si muito meritório. A competição foi de um nível altíssimo e Diogo esteve ao nível, com duas excelentes séries! Para este jovem de 15 anos, melhor do que o 7º alcançado era difícil, mas ainda tem um europeu de juniores pela frente. Fantástica prova de Diogo!2016_euro_dia4_3

Os primeiros seniores foram os sincronizados, com um crescendo enorme de emoção!
Ana Rente e Beatriz Martins começaram de 8º para estas finais, não realizaram a sua melhor série, novamente com falhas de sincronismo logo desde o início e a meio da série. A execução foi bastante aceitável e no final os 44,800 pontos pareciam escassos. Com o andar da competição percebeu-se que todas estavam com dificuldades em sincronizar bem e em terminar as suas séries. Isso levou a uma manutenção do primeiro lugar durante muito tempo.
O mesmo aconteceu com Pedro Ferreira e Diogo Abreu, mas para estes, a série realizada foi mais uma “bomba”, com excelente entendimento entre os dois.
2016_euro_dia4_5Quando faltava 1 par para competir de cada lado, ambos os pares lusos estavam em 3º lugar. Do lado feminino, saltaram as russas, que tiveram várias falhas de sincronismo, mas com maior dificuldade, será que iam ultrapassar as portuguesas?
Nos masculinos, faltavam os russos, que durante 9 saltos fizeram uma brilhante prestação…só faltava um e seriam campeões ou segundos classificados.
Eis que saíram as notas e…as russas igualaram a nota das portuguesas…não há desempates…quando nos apercebemos, foi uma festa na bancada! Mais uma carica de bronze!
Os rapazes olharam até ao final para os russos. Quando viram Ushakov a lateralizar o miller e a tocar na proteção, perceberam que a carica de bronze tinha saído novamente! Mais duas medalhas, cheias de emoção para os nossos ginastas, bem merecido por toda a prova que realizaram!2016_euro_dia4_9

Tempo para a última prova da manhã, com esperança de que Diogo Costa se pudesse colocar entre os russos ou mesmo à frente deles.
Uma primeira série fantástica ao nível da execução deu-lhe o 3º lugar provisório, mas a muito pouca distância dos dois primeiros. Diogo foi apenas penalizado pela recepção directa no amarelo, mas sem passos. 8 2 3 /; 8 3 3 /.
A segunda passagem era dos triplos: 12 – – 1 o; 12 1 – 1 o. O primeiro salto correu bem, excelente desmanche, boa ligação…mas entretanto o salto de saída tornou-se “àrabe” e o Diogo terminou a recepção com pés e mãos ao mesmo tempo, terminando o sonho que seria uma realidade caso tivesse conseguido cair em pé. Diogo acabou por ver o seu rival mais difícil de bater (Zalomin), vencer novamente com categoria e autoridade.
2016_euro_dia4_10Diogo Costa dá a sensação que está cada vez mais próximo de atingir uma medalha num evento importante, cá estaremos para o noticiar quando acontecer. Parabéns e que continues a treinar com dedicação!

Após a pausa da manhã, regressámos à competição para uma história bastante breve.
Sofia Correia, que se havia classificado para a final individual de trampolim no escalão júnior, foi a primeira a saltar das finalistas. A entrada não pareceu muito confiante e as duas primeiras ligações dos saltos não foram boas, lateralizando o terceiro elemento para a proteção.
Uma final com sabor amargo, com uma falha prematura. A sua prestação não ficará certamente manchada por esta falha, já que a “Sushi” foi espectacular até aqui e estar nas finalistas é uma vitória por si só. Bom regresso ao trabalho e parabéns por estes 4 dias magníficos.

2016_euro_dia4_14Logo a seguir vieram as seniores de DMT. As passagens de aquecimento foram excelentes, bem diferentes do que veio a ser a competição.
Nao há muito a dizer quando há falhas que comprometem a prova. No caso da “Mini”, falhou onde é mais forte, no salto em extensão de entrada. Por alguma razão foi ligeiramente lateralizado e directo para a proteção. A Mariana ainda fez o spotter, mas não valia a pena, a competição terminou por ali para seu desalento e frustração. Sabemos que queria muito ter feito uma excelente prova, mas não estava destinado a sê-lo. Resta a consolação de ter sido finalista, que é já importante!
Para Andreia, a história foi ligeiramente diferente. Deixou o salto com mais dificuldade para a final (8 2 2 /), mas a ligação não era fácil sob pressão. A prova estava com elevado nível, as rivais tinham séries bastante fortes, que lhe colocou muita pressão. A Andreia não conseguiu gerir muito bem as ligações dos saltos e fez em ambas as séries saltos de saída muito longos e/ou laterais, com penalizações fortes nas recepções, tirando qualquer esperança de medalha que acalentava, de repetir um feito que já havia conseguido, o título de campeã da europa de DMT.
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Pela segunda vez liderou a prova das preliminares para as finais e não conseguiu dar o seguimento que queria. Alguns na bancada questionavam se a estratégia não poderia ter sido diferente, deixando saltos mais seguros para a final? Certamente que é fácil falar e que se deve questionar, continuando a fazer o trabalho de casa bem feito como estamos seguros que acontece.
Parabéns à Andreia pela prova e por ter conseguido voltar a ser uma das melhores saltadoras de DMT do mundo, mesmo depois da sua lesão!

No mesmo aparelho, estava a final do dia para os portugueses. Afonso Fernandes e Tiago Romão entravam em competição directa com os russos e que prova que começaram por fazer!
Ambos os portugueses iniciaram com uma primeira série brilhante, permitindo beneficiar de algumas falhas dos rivais para se colocarem em 1º e 2º.
Na segunda série, o espanhol fez uma muito boa série e com o público a apoiar, teve uma nota elevada. Essa nota foi suficiente para ultrapassar Afonso Fernandes, após o ginasta ter feito uma série a pisar o amarelo com um pé, uma falha que lhe custou 0,3 pontos por juiz, muito penalizador para a prestação do jovem leonino. Tal como Beatriz Peng, o 4º lugar final soube a pouco…faltou a carica favorita dos portugueses nesta prova, pelo menos!

2016_euro_dia4_20O último a saltar foi Tiago Romão que tinha uma margem enorme para vencer a prova. Nem por isso optou pelo caminho mais fácil e ainda assustou, pois o primeiro salto da última série foi muito longo e acabou por fazer o segundo salto diretamente para o azul. De qualquer forma, Tiago conseguiu aguentar o possível, para realizar uma série com elevada dificuldade, mais do que suficiente para se sagrar Bicampeão europeu de DMT de juniores. Estamos em crer que se trata de um feito nunca alcançado por outro ginasta anteriormente, o que diz bem do nível que o ginasta tem neste momento, mais uma grande esperança dos trampolins nacionais!
Parabéns Tiago e seus respectivos pares, pela brilhante prova e por teres permitido ouvir o hino nacional no pavilhão de Valladolid, o hino mais cantado na bancada, como habitualmente!

A prova não terminaria sem mais emoção no ar…nada mais nada menos do que a nossa “bi-olímpica” Ana Rente, que passou em segundo à final.
2016_euro_dia4_17Mais uma prova de elevadíssimo nível, desde a primeira ginasta que as notas estavam muito elevadas, TOF’s muito altos, execuções muito altas e notas finais muito competitivas. Restava a dúvida, Ana Rente vai repetir a série ou vai fazer a mesma que havia feito na semi final do mundial? Acabou por repetir a série que lhe deu passagem à final, mas com uma pequena mudança, o último salto era um miller. Pois após uma magnífica prova, foi exactamente o miller que deitou tudo a perder…ou melhor, o outbounce, que terminou directamente no colchão da frente. Não terá sido da alteração de salto, para uma ginasta como a Ana, não há uma explicação tão simples…acontece a todos, só não tinha que acontecer naquele momento. De qualquer forma, a própria ginasta reconheceu que não daria para ficar nas medalhas, mas o 4º ou 5º lugares seriam certamente dela.
Na nossa modesta opinião, a carica de bronze seria a mais certa, não pela série da final, mas pelo que fez na prova. Mas não havendo vitórias morais, desejamos que as próximas competições sirvam de preparação para os olímpicos e que aí sim, faça a série da sua vida para o melhor resultado possível!

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Assim terminou a competição, 4 dias de muita emoção, muita luta, vitórias, derrotas e a mesma sensação de que se continua a trabalhar muito bem nos trampolins em Portugal.
O balanço final não é tão positivo como Guimarães 2014, mas jogar em casa é sempre diferente e não há duas provas iguais.

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