Odense 2015 – Análise de Manu Durand

OMG ODNZ

202

Participação esmagadora, a mais alta de sempre! Passámos a barreira dos 200 individuais entre Homens (123) e Mulheres (79). Nada mais necessita de ser dito exceto que o Comité Técnico levará um bom tempo para conseguir que os juízes mantenham critérios ótimos depois de 250 séries num dia de preliminares masculinas…

No que concerne à competição masculina, as estatísticas são bastante consistentes com as do ano passado. Tendo dito isto, uma vez que temos mais ginastas, isto confirma que o nível continua a subir. Se era mais “fácil” chegar às semifinais (por 0,1), foi muito mais difícil chegar às finais. Tivemos que chegar aos 58 pontos pela primeira vez, mais do que 1 ponto desde 2013!

Danke Ultimate!

Quanto à competição feminina, bem…necessito deste parágrafo dedicado. As estatísticas mostram que o nível explodiu:

  1. São necessários cerca de 3 pontos mais do que no ano passado para chegar às semifinais,
  2. É necessário mais do que 1 ponto para chegar às finais,
  3. A média de dificuldade subiu 0,30 pontos,
  4. A média de ToF subiu cerca de 0,10 pontos.

Temíveis Cinco made in China

Gao tornou-se o 5º Campeão do Mundo Chinês Individual desde 2007. Embora Uladzislau liderasse ao fim do 1º dia, o domínio mundial chinês ameaça em 2017 perfazer uma década. Algo que não assistimos desde o reinado das ginastas americanas entre 1964 e 1974…

Ver Tu Xiao, atual Campeão do Mundo, ser afastado no primeiro dia e ver Dong Dong, que nos últimos 8 anos não tinha estado afastado de um pódio de Olímpicos ou Mundiais, afastado após as Semifinais…faz-me pensar quem irá estar presente no Rio para representar o país. Como nota lateral, mera “consagração” para Tu e Dong: são agora o par sincronizado mais bem sucedido de sempre (4 títulos juntos) .

Li Dan para a História

Ao vencer o seu segundo título mundial individual, Li tornou-se na primeira chinesa a conseguir este feito! Mais importante, ao conseguir o título também em sincronizado e na competição por equipas, ela é a primeira “trampolineira” chinesa a conseguir as 3 medalhas de ouro no mesmo Mundial. Suponho que quisesse mesmo ultrapassar o desapontamento do ano passado e conseguiu-o em grande estilo: Liderou as preliminares, semifinais e finais. Sugiro que reveja atrás a secção sobre o nível das ginastas femininas e, na minha análise, torna o seu feito ainda mais incrível.

Europa está de volta!

Tenho que dizer que a Europa teve uma grande prova este ano. Conseguiram resistir e mesmo surpreender a Ásia de certa forma. Este é um feito tremendo. E, novamente, farei uma menção especial à Bielorrússia. Foram tremendamente bem sucedidos e estiveram presentes em todos os pódios, especialmente graças à Tatsiana (1 Bronze e 2 Prata) e Uladzislau (1 Bronze e 2 Prata também).

kazak_old_newSir Mikalai Kazak (foto retirada do Facebook do próprio)

Por falar na Bielorrússia, não há maneira de eu ignorar a performance do Mikalai na Dinamarca. Vi-o “ao vivo” vencer as suas primeiras duas medalhas Mundiais em 1994…e vi-o “online” vencer novamente duas medalhas este ano! Quando se vê o quanto o nosso desporto evoluiu em 21 anos (pode-se dizer que atingimos a nossa “maioridade”), vê-lo não apenas competir mas competir E ter sucesso, é simplesmente, extraordinário.

Uma surpresa Made in France

Eu comparei a primeira e a segunda ronda do Top 8. Na segunda ronda masculina, apenas 2 ginastas fizeram “pior” do que a primeira (Schmidt e Rabtsau). Este ano tivemos novamente um convidado surpresa quando comparamos ambos os Top 8.

  1. Cinco conseguiram “facilmente” chegar à final (Gao, Hancharou, Ushakov, Yudin, Ito)
  2. Infelizmente três foram afastados (Dong, Schmidt e Rabtsau)
  3. Logicamente dois conseguiram subir (Xiao e Munemoto)
  4. Contra as probabilidades, de 25º, primeiro a competir no primeiro grupo de semi finalistas, Demiro conseguiu subir até ao 8º! Sabendo que este jovem ginasta Francês se qualificou para as semifinais com uma série facultativa 2 de 55,29 e conseguiu 3 pontos adicionais três dias mais tarde…Ele certamente maximizou a sua estadia na Dinamarca!

Na segunda ronda feminina, não houve qualquer convidado inesperado. Infelizmente quarto ginastas fizeram “pior” do que na primeira ronda (Drury, Clark, Pavlova e Wenna) e foram afastadas.

  1. Quatro “facilmente passaram à final (Li, McLennan, Harchonak, Page)
  2. Logicamente quarto avançaram para a ronda final (Liu, Piatrenia, Driscoll e Golovina)

Alguns fatos adicionais:

  1. Ambos os Campeões do Mundo tiveram melhores notas nas semifinais… Ainda assim, venceram!
  2. Cinco homens e quarto mulheres melhoraram as suas notas das preliminares para as semifinais para as finais (Liu, Hancharou e Yudin conseguiram uma medalha cada!)

Finais ++

Gostaria de terminar esta análise com as finais de Tumbling e Duplo-Mini. Pela primeira vez, não vou perder o vosso tempo com a presença de público nestas disciplinas. Fi-lo nos últimos 10 anos e nada mudou, na realidade. O que mudou este ano, foi o inacreditável nível das finais.

E, digo isto para o Duplo-Mini Masculino. O Duelo que presenciámos foi nada mais nada menos do que Olímpico. Austin White e Mikhail Zalomin fizeram-nos reviver uma das oposições mais antigas do Desporto da História – entre EUA e Russia.

Deram o seu melhor. Deram o melhor. Que privilégio. Que emoção!

A #roadtorio começou oficialmente! / Emmanuel Durand
(Tradução direta do artigo de opinião elaborado pelo próprio. O Trawp agradece a disponibilidade e cooperação do Manu)

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *